AMANHECER

 O amanhecer de minha terra

trago na lembrança!

 

 Parti há muito...

 

e reparto as cores do horizonte

que fotografadas restaram

na retina e coração,

com aqueles que

nunca viram e sentiram

um amanhecer.

 

Pela fresta de minha janela,

acanhada a luz entrava,

esbarrava na branca cortina,

iluminando a imagem

de meu anjo da guarda,

sobre a mesa de cabeceira.

 

Sorrateira eu levantava,

sem barulho, sem alarde...

pois todo o restante da casa,

dormia...

 

E pela porta da sala

o horizonte eu olhava,

tão vermelho e a

silhueta de uma árvore torta

que chamava de

árvore caindo...

 

parecia tão distante...

e nos primeiros raios

de sol

surgia ela, verde, copada.

 

Os pássaros, em bando

voavam os céus,

seu imenso espaço livre

e competiam entre si

para ver quem mais alto cantava.

 

Nos ouvidos trago os acordes

dos pardais, bem-te-vis,

andorinhas, pintassilgos

e o cantar martelado

da araponga.

 

As gotinhas de orvalho

 que restavam sobre as rosas 

exalavam perfume.

 

 O céu a se colorir

de amarelo, laranja,

vermelho, azul e branco

e uma preguiça danada

levava-me de volta à cama.

 

E os pássaros orquestrando

embalavam os meus sonhos

por mais alguns minutos,

tão preciosos,

tão gostosos.

 

E o cheiro forte do café,

que da cozinha escapava,

tirava-me novamente

do embalo de meus sonhos.

 

Amanhecia em minha terra!

 

 Cleidiner Ventura (Anjo)

12.02.2004