MENINOS MEDO

MENINOS ABANDONADOS

 

 

ROMPE A BARREIRA,

SANGRA

A

MÃE

E

ILUMINA A VIDA;

 

 

Vida que desce

o

morro

nos primeiros passos,

no grande espaço,

nos faróis,

no calçadão,

na praia - aos pés do mar.

Na Candelária,

aos

pés

de

DEUS!

 

 

São meninos - homens,

são guerreiros.

 

À tarde,

a fome arde

o estômago diminuído

sob a pele

curtida

de todos os sóis;

 

Com gingado,

o bate-bate

do dinheiro alheio;

 

sob a marquise

o delírio

da

cola, de mão em mão,

como o pão

quem não tem.

 

Arde menos

o

sofrido

estômago

nos sonhos delirantes,

entorpecidos,

alucinantes,

D R O G A D O S.

 

Drogados

vêem o mundo

do jeito que mereciam

ter, para viver!

 

À noite,

cansados

de arrastarem

seus fracos

corpos,

por entre

corpos

que não os vêem,

corpos bem nutridos,

bem vestidos;

 

Passam...

 

Aconchegam-se

uns aos outros

sob marquises,

nas

praças,

sobre bancas de jornais

aos pés de Deus,

Na Candelária.

 

Quietos,

protegidos pelos

braços fortes

Do Cristo Redentor ao alto

e

açoitados

pelos ventos frios

vindos do mar,

D O R M E M.

 

Como canção de ninar...

aos seus ouvidos,

apenas os ruídos

dos carros que passam

velozes

em

Copacabana

e

dos insetos

que procuram abrigo

nos bueiros.

 

Almas boas,

que ainda existem,

condoídas

os

aquecem

com ralos cobertores.

 

E os

Homens - monstros,

ASSASSINOS,

S O R R A T E I R O S,

usando como fossem

brinquedos,

armas possantes

à revelia do Cristo

que a tudo vê,

fazendo funcionar

seus

"brinquedinhos"...

 

...Interrompem as vidas,

que dormindo

sonhavam com

a felicidade,

julgando ser

as mãos das mães e

não o vento,

que os acariciavam.

 

Mortos restaram

sob os ralos

cobertores

os corpos inertes.

 

Pequenos,

leves

Dos meninos - fome,

Dos meninos - medo,

Dos meninos - analfabetos,

Dos meninos - ânsia,

DOS MENINOS ABANDONADOS!

 

Crianças sem acalanto,

sem afeto,

sem infância!

 

Mortos na Candelária

aos

pés

de

DEUS!

 

ROMPE A BALA,

SANGRA

A MÃE - TERRA

SOB O CIMENTO DA PRAÇA.

 

Interrompem as vidas

e subindo,

essas almas pequeninas,

iluminam os céus

como estrelas

sobre o mar!

 

(SANGRA O MEU CORAÇÃO, ARDE MEU DESEJO DE JUSTIÇA!)

Cleidiner Ventura (Anjo)

Tragédia ocorrida no Rio de Janeiro/Brasil, em 29.07.1993

 

VERSÍON EN ESPAÑOL