MEU SEGREDO

Sabe minha querida Virgem Maria,

quando sozinha fiquei,

na partida de meus pais,

blasfemei,

chorei,

gritei!

 

Nenhuma prece orei...

 

Após dias de angústia

e sofrimento amargo

de sentir-me

só, abandonada

-perdida minha identidade-

pois foi assim que me senti;

 Veio-me à mente a história

de sua passagem na terra,

quando em prantos

viste Seu Filho partir...

Então minha mãe,

no silêncio de meu quarto,

orei

e lágrimas turvavam

minhas vistas,

embargavam minha voz

e assim mesmo eu implorava

que de mim tomasse conta...

 

Que minhas mãos segurasse,

que minhas lágrimas secasse

e que pudesse ver,

além do horizonte,

as luzes da serenidade;

e que pudesse entender

o porquê da partida

dos seres que mais amava...

 

E você, minha doce Mãe,

minhas mãos segurou,

com seu lenço branco de luz

minhas lágrimas secou,

deu vida à minha voz

que, serenamente,

ora todos os dias,

pela paz no mundo,

pelas crianças sem lar...

 

Aprendi mãezinha querida,

que dores outras existem,

que lágrimas são choradas

em todos os cantos do mundo,

 

que egoísta eu era!!!???

Crendo que o sofrimento

só em meu coração morasse!

 

Cleidiner Ventura - 24.03.2004