RIO PARDO

 

 

Pardo rio

de minha infância,

em suas águas

naveguei meus sonhos,

viajei lugares

nunca antes alcançados.

 

Sua turva água,

na concha de minhas mãos,

sob o sol ardente,

provocava raios

cristalinos!

 

Ao por do sol,

o arco-íris

a lhe colorir as águas,

inundava minh'alma de criança

de uma mansidão

serena,

de um deixar ficar...

estática...

 

Pardo, parto

para um porto qualquer...

O tempo passa e continuas

a serpentear suas águas

por seu leito fundo

e

a

provocar

uma saudade imensa...

 

de quando à sua margem,

na roda gigante

do parque de diversões,

do alto, eu o contemplava

entre o céu e a terra

e

não havia nada de mais

encantador que sua força escura,

como seiva a fertilizar a terra!

 

Pardo, parti

e aqui distante

ainda navego

em suas águas,

deixando-me

levar...

flutuar...

recordar...

 

Cleidiner Ventura (Anjo) - 1997

( homenagem à Santa Cruz do Rio Pardo, terra que me viu nascer)