TIETÊ - MAGIA E ESPERANÇA

 

Puro espaço.

Mudo jeito escuro.

Cicatriz do nada.

Tão grátis, tão desgastado!

 

Ao coração dói tanto

sua íntima penumbra.

Imersa, em transe, choro

o cínico espetáculo da história.

 

Assim como os que indagam seu gênio,

confrangidos á dura realidade,

procuro um sentido para os gestos humanos

e rogo que lhe devolvam a vida.

 

Pois, por sua passagem,

hei de debruçar meus olhos

e contemplar sorrindo

em suas águas límpidas

 

de luz e de mistério,

todo o brilho das estrelas.

 

Cleidiner Ventura/30.10.91

poema publicado no livro " Tietê, o Rio de São Paulo"

editora Ânima Cultural - Janeiro de 2004,

por ocasião dos 450 anos de  São Paulo.