TIO JOÃO

 

                                        Em um dia sete de setembro, nasceu João Inácio da Silva, e a proximidade das pessoas na pequena cidade em que nasceu, São Pedro do Turvo,  o levou a ser conhecido como João do Roque (seu pai) e foi assim que minha tia Elvira o conheceu e apaixonou-se  e casou-se, tendo com ele 5 filhas, das cinco, três estão aqui nesse plano para reverenciá-lo.

                                       João do Roque era motorista,  era  artista, artesão. Tocava seu violino e tinha um apurado ouvido musical; com suas próprias mãos reformava sua frota de caminhão,  do motor à funilaria e tudo ficava novinho e era motivo de nossa admiração; Quantas professoras conseguiram chegar em suas escolas rurais, graças a ele na condução de seu veículo.

                                     Tantos foram os momentos passados juntos, em família, que não há como contar nossa história sem ele.

                                      Tio João foi o modelo de fidelidade ao amor de uma mulher, ficou viúvo ainda moço, namorou um pouco, mais sem entusiasmo, meio que para a sociedade não cobrar nada dele, não casou novamente; sozinho ficou até hoje, apenas com filhas, netos, neta e sua bisneta.

                                     O tempo foi passando e acho até que essa doença que causa o esquecimento (a que o acometeu) é proposital, pois sem lembranças deve ser fácil ver o dia seguinte, não há saudade, não há vontade... Quando nos via, nos tratava com carinho, mesmo sem lembrar quem éramos, acho que lá no fundo de seu coração de mais de 90 anos, havia uma fagulha que ascendia e o fazia saber que a gente sempre o amou muito.

                                      Hoje esse coração que tanto amou,  parou! Parou em dia específico, de forma que seu sepultamento se dará no mesmo dia 13 de agosto em que morreu minha tia Elvira, há bastante tempo...

                                      Querido Tio João, que Nosso Mestre Jesus o receba com muito amor, luz e melodia... e saiba, deixou aqui nesse plano de provas e expiações, pessoas que o lembrarão e o  amarão sempre.

 

Cleidiner Ventura – 12.08.2007 15:30 horas